Desinfecção e Esterilização.


Desde os primórdios das atividades referentes à área de saúde, o ser humano tem-se batido com o fator infecção, sendo freqüentemente derrotado. Essas derrotas, porém, vêm, através da história, diminuindo em número devido às atenções que gradualmente foram sendo dispensadas à limpeza, à higiene, às boas condições ambientais e alimentares, evoluindo para a desinfecção e a esterilização de materiais hospitalares, entre
outros fatores não menos importantes.

Desinfecção, esterilização e acondicionamento apropriado de lixo hospitalar tornaram-se fatores de importância capital no tocante   ao  controle  de   infecção hospitalar,  garantindo condições para a recuperação dos pacientes, bem como para a segurança dos mesmos e das equipes de profissionais de saúde envolvidas nas atividades hospitalares.

Esterilização é a eliminação ou destruição completa de todas as formas de vida microbiana, sendo executada no próprio hospital através de processos físicos ou químicos.

Desinfecção   é   o   processo   que   elimina   todos   o s microorganismos ou objetos inanimados patológicos, com exceção dosendosporos bacterianos. Esse processo não deve ser confundido com a esterilização, visto que não elimina totalmente todas as formas de vida microbiana. Por definição, os dois procedimentos diferem quanto à capacidade para eliminação dos esporos, propriedade inerente à esterilização. Alguns desinfetantes, os quimioesterilizadores, podem eliminar esporos com tempo de exposição prolongado (seis a dez horas). Em concentrações similares, esses mesmos desinfetantes, em período de exposição menor do que 30Os artigos críticos oferecem alto risco de infecção hospitalar, caracterizados pela contaminação com microorganismos elou esporos bacterianos. 

São incluídos nesta categoria o material cirúrgico, os cateteres cardíacos e vesicais, os implantes, os fluidos para aplicação intravenosa e as agulhas de punção.

Devem ser tratados com autoclavação, com óxido de etileno ou com quimioesterilizadores, se os outros métodos foreminadequados.

Os artigos semicríticos são os objetos que entram em contato com pele lesada e/ou mucosas, devendo estar livres de todos os microorganismos, com exceção dos esporos bacterianos.
Pertencem a este grupo o equipamento de anestesia e de terapia respiratória, endoscópios gastrintestinais e termômetros.

Necessitam de desinfecção de alto nível, com pasteurização úmida ou germicidas químicos, como glutaraldeído, peróxido de  hidrogênio  estabilizado,   álcool   etílico  e   compostos
biclorados. Após a utilização de qualquer um desses métodos, o objeto deve ser lavado com composto clorado e seco com um método que não o recontamine, como ar quente filtrado,
sendo depois devidamente embalado.

Os artigos não críticos são os que entram em contato apenas com a pele íntegra. Seriam os lençóis, os manguitos dos esfigmomanômetros ,   muletas ,   alguns   utensílios   de
alimentação, mesas de cabeceira e móveis. Estes podem ser devidamente limpos com desinfetantes de baixo nível, como álcool etílico ou isopropílico, hipoclorito de sódio, solução detergente germicida fenólica ou iodofólica ou solução detergente germicida amônica quaternária.

Deve-se lembrar, no entanto, que as questões de desinfecção e  de   esterilização não  são  assim  tão  simples   como  se apresentam. É necessário considerar que existem processos inadequados para determinados tipos de material de uso hospitalar. Há materiais termolábeis ou   termossensiveis  por exemplo. Estes, em linhas gerais, podem ser esterilizados com óxido   de   etileno ,   sendo   esta   prática ,   porém,   bastante dispendiosa para o sistema hospitalar. 0 que se observa, muitas vezes, é a realização de desinfecção de alto nível para materiais que   deveriam   ser   esterilizados ,   em   geral ,   materiais médico-hospitalares semicríticos que foram contaminados com vírus da SIDA ou da hepatite B ou por bacilos da tuberculose ;   estes   devem  receber   tratamento   visando esterilização, e não desinfecção, obrigatoriamente.

Outro ponto a ser considerado são os fatores que afetam diretamente a eficácia dos germicidas. Observa-se que o número dos microorganismos no material a ser desinfectado acaba sendo proporcional ao tempo que o germicida leva para destruí-los.

A localização desses mesmos microorganismos deve ser considerada; materiais compostos por várias peças devem ser desmontados para que o agente germicida possa agir sobre toda a sua superfície, não poupando os microrganismos de serem atingidos pelo mesmo. Não se pode esquecer da minutos, por exemplo, podem eliminar microrganismos vivos, com exceção dos endósporos bacterianos, sendo então denominados desinfetantes de alto nível. 

Outros podem destruir bactérias vegetativas, fungos e vírus lipofílicos em aproximadamente dez minutos (desinfetantes de baixo nível) e há os que destróem o bacilo da tuberculose e vírus hidrofílicos em períodos algo superiores a 30 minutos (desinfetantes de nível intermediário). Feitas essas considerações, pode-se concluir que os germicidas diferem entre si basicamente quanto ao espectro antimicrobiano e à rapidez com que agem.

Outro processo envolvido no controle da infecção hospitalar é a limpeza, que consiste em remoção de materiais estranhos aos objetos (como sangue, fragmentos de tecidos orgânicos, sujeira, etc.) com água, podendo-se utilizar também algum tipo de detergente. A limpeza deve, obrigatoriamente, preceder
a desinfecção e a esterilização.

A descontaminação é o processo pelo qual um objeto tem removidos os microorganismos patológicos, tornando se seguro para ser manuseado pelos profissionais competentes.

Em 1968, Spaulding propôs uma abordagem racional à desinfecção e à esterilização, dividindo o material usado nos c u i d a d o s   a o s   p a c i e n t e s   e m   t r ê s   d i s t i n t a s   c a t e g o r i a s , baseando-se no grau de risco de infecção envolvido, a saber: artigos críticos, artigos semicríticos e artigos não críticos.


resistência inata de certos microorganismos, fato que deveser tratado adequadamente, por exemplo, ampliando-se o tempo de exposição do material ao germicida ou escolhendo-se
agente mais adequado. Outra variável é a concentração do germicida; em geral, esta é proporcional à potência do mesmo. A temperatura, o pH, a umidade relativa e o peso molecular
da água utilizada devem ser observados para que se tenha atividade ótima do agente germicida. A matéria orgânica, como soro, pus, sangue ou fezes, pode interferir na atividade germicida por reações químicas que a diminua ou a anule, ou protegendo os microorganismos como uma barreira que im-
pede a atuação do produto sobre os mesmos. Finalmente, deve-se respeitar o tempo estipulado de contato do material com o germicida, para que este último aja satisfatoriamente.

Da   mesma   forma ,   número ,   tipo   e   localização   dos microorganismos afetam os processos de esterilização, bem como a presença de matéria orgânica, concentração, tempo de exposição e fatores físicos, como temperatura e umidade relativa.

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